‘Prioriza-se quem está na base’, diz Lívia Duarte (PSOL) sobre relação com o governo Barbalho  
Chá de Canela Videocast Revista CDC

‘Prioriza-se quem está na base’, diz Lívia Duarte (PSOL) sobre relação com o governo Barbalho  

Lívia Duarte (PSOL), pré-candidata a deputada estadual. Crédito: Divulgação

A deputada estadual e pré-candidata à reeleição, Lívia Duarte (PSOL), afirmou que fazer oposição ao governo estadual tem consequências diretas na atuação parlamentar. Em entrevista ao videocast Chá de Canela, a parlamentar criticou a gestão do grupo político liderado por Helder Barbalho e disse enfrentar dificuldades para conseguir a execução de emendas destinadas a projetos culturais e sociais.

Embora o governo estadual esteja atualmente sob comando da governadora Hana Ghassan, Lívia afirmou considerar que a administração continua sendo a do grupo político de Helder Barbalho.

“O governo Barbalho não acabou porque a vice assumiu agora como governadora. Não é que eu desrespeite a existência dela como governadora, mas nós sabemos que ela foi vice até um mês atrás. Então eu considero que seja o governo eleito do Helder Barbalho”, declarou.

Segundo a deputada, a posição de oposição é uma escolha política da qual não abre mão, apesar dos impactos que, segundo ela, isso provoca no exercício do mandato.

“Eu sei o meu lado. Para mim está escrito. Eu durmo bem com isso. O problema é que isso traz consequências”, afirmou.

Entre essas consequências, Lívia citou a dificuldade para que emendas parlamentares de sua autoria sejam efetivamente executadas pelo governo estadual. Ela relatou que recursos destinados a iniciativas culturais acabam não chegando aos beneficiários.

“Eu me comprometo com um artista e digo que quero apoiar o festival dele. E esse cara não vai receber esse dinheiro nunca. Isso é um problema, porque prioriza-se quem está na base”, disse.

A parlamentar reconheceu que a priorização de aliados políticos ocorre em diferentes governos, mas classificou a prática como prejudicial ao funcionamento democrático. “Acontece em todos os governos, sem dúvida. Mas é muito ruim que, democraticamente, você tenha confiscado o que é um direito parlamentar”, afirmou.

Durante a entrevista, Lívia também comentou o papel da esquerda no cenário político paraense. Para ela, representar esse campo político exige disposição para defender pautas consideradas impopulares e assumir o custo político dessas posições.

“O grande barulho da esquerda é comprar as pautas e estar disposto a levantar as bandeiras em qualquer espaço”, disse.

A deputada também falou sobre os desafios da representatividade na política. Primeira e única mulher negra eleita deputada estadual na história da Assembleia Legislativa do Pará, ela afirmou que esse pioneirismo evidencia a falta de diversidade nos espaços de poder.

“Esse é um lugar único. E não é bom. Eu espero que a próxima legislatura tenha outras mulheres negras, mulheres indígenas, pessoas trans. Que a diversidade faça parte desses espaços”, declarou.

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