No videocast Chá de Canela, o jornalista paraense Adriano Wilkson falou sobre os bastidores do jornalismo independente, censura, investigação, produção de livros e até o impacto de um documentário sobre o caso Robinho. Wilkson defendeu o papel do jornalismo crítico em um cenário que considera cada vez mais restrito no Pará.
Ao comentar o atual cenário da imprensa paraense, Adriano afirmou que o estado vive um momento de forte concentração midiática e pouca liberdade editorial.
“O Pará vive hoje o que a gente chama de deserto de notícias. É essa situação em que um estado, uma cidade, um país não tem um jornalismo livre, independente, livre dos interesses comerciais e políticos que às vezes amarram o jornalista de fazer o seu papel”. A existência de grupos de comunicação ligados a interesses políticos e econômicos reduz o espaço para reportagens críticas.
Wilkson contou que decidiu investir em conteúdo independente nas redes sociais após perceber a ausência de cobertura aprofundada sobre protestos de povos indígenas e professores na Seduc, em 2025.
“Eu comecei a fazer esse jornalismo para servir os interesses da minha classe, da nossa classe de trabalhadores. Porque nós jornalistas, apesar de alguns não se verem assim, somos trabalhadores”.
O jornalista também rejeitou a ideia de neutralidade absoluta na profissão.
“Não existe imparcialidade no jornalismo. Todo jornalista fala de algum lugar. O meu lugar é o de trabalhador, e é daqui que eu falo”.
Adriano também relembrou um episódio em que foi alvo de uma decisão judicial que o obrigou a retirar um vídeo do ar temporariamente. Depois de alguns meses desse primeiro episódio, teve o instagram banido.
“Nada do que eu digo sai da minha cabeça. Está sempre baseado em documentação. Eu evito ao máximo esse jornalismo de ‘comentam nos bastidores’. Sem registro, sem prova, eu não publico”.
O jornalista também falou sobre sua experiência como escritor. Um dos trabalhos citados foi o livro “A grande luta: um atleta brasileiro entre a glória e o abismo”,sobre o lutador de MMA Acácio, desenvolvido a partir de uma reportagem em estilo de jornalismo literário.
Ao falar sobre a produção do documentário sobre o caso Robinho para a Globoplay, Adriano destacou o trabalho em parceria com a jornalista Janaína César, que vive na Itália.
Ele contou que o acesso aos áudios da investigação foi fundamental para confrontar a versão do ex-jogador. Segundo Wilkson, a divulgação dos áudios ajudou a destravar o processo no STJ.
“A gente publica os áudios de manhã, umas oito horas. À tarde, o STJ anuncia que vai dar prosseguimento ao caso. Hoje o Robinho está preso”.
O Chá de Canela vai ao ar semanalmente, às terças-feiras, às 20h, com transmissão pelo YouTube da Rede Nova Belém e do próprio podcast. Os programas também ficam disponíveis nas principais plataformas de áudio, como Spotify, Deezer e Apple Podcasts.


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