Na noite da última terça-feira, 7 de abril, data em que se celebra o Dia do Jornalista, o videocast Chá de Canela abriu sua nova temporada com uma entrevista marcada por reflexões sobre a profissão e relatos pessoais. O convidado foi o jornalista e apresentador Carlos Brito, do programa É do Pará, que compartilhou experiências de vida, desafios na carreira e opiniões sobre as transformações no campo da comunicação.
Brito comentou sobre o tema do episódio “Influencers estão tomando o lugar dos jornalistas?” que trata sobre o avanço dos influenciadores digitais e a suposta disputa com jornalistas por espaço na comunicação.
Para ele, não há ameaça direta. “O sol está pra todos”, afirmou, ao destacar que criatividade, talento, ética e empatia são diferenciais fundamentais. Segundo Brito, embora jornalistas e influenciadores possam se cruzar em determinados momentos, o jornalismo segue critérios próprios, baseados na responsabilidade de informar e formar opinião. “A gente sabe a bolha que pertence, os critérios que adota, porque trabalha com informação”, explicou.
O jornalista ainda avalia que o crescimento dos influenciadores pode funcionar como um estímulo para que profissionais da área saiam da zona de conforto. “É um desafio para gente melhorar, como profissional e como ser humano”, disse, ressaltando a importância de adaptação às novas linguagens, especialmente nas redes sociais.
Apesar das conquistas, Brito também relembrou episódios marcantes de preconceito vividos ao longo da carreira. Em um deles, ao chegar na casa de um entrevistado, foi surpreendido por um comentário feito pelo interfone: “Vi pela câmera um homem mal encarado”. Ao relembrar o episódio, ele questiona: “O que é um homem mal encarado? É o cara que é preto?”, questiona.
Em outra situação, durante uma pauta em uma instituição militar, ouviu de um militar de alta patente: “Você que é o repórter? Você não tem cara de repórter”. Para Brito, a fala carregava um julgamento racial implícito. “O que é ter cara de repórter? Loirinho, branquinho? Ele falou de uma forma que não era brincadeira, eu recebi isso como um soco”, desabafou.
A entrevista reforça não apenas o debate sobre as mudanças no jornalismo contemporâneo, mas também as barreiras estruturais ainda enfrentadas por profissionais na área. Ao compartilhar sua história, Carlos Brito amplia a discussão sobre representatividade, respeito e o papel social da comunicação.


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