“Existem mulheres que não são donas do próprio mandato”, afirma Nay Barbalho no Chá de Canela  
Chá de Canela Videocast Revista CDC

“Existem mulheres que não são donas do próprio mandato”, afirma Nay Barbalho no Chá de Canela  

Nay Barbalho é a convidada da semana do Chá de Canela. Crédito: Divulgação

A vereadora de Belém pelo Avante e pré-candidata a deputada estadual, Nay Barbalho, afirmou que um dos desafios da participação feminina na política é a falta de autonomia de algumas mulheres que ocupam cargos eletivos. A declaração foi feita durante entrevista ao videocast Chá de Canela, quando discutiu os obstáculos enfrentados pelas mulheres nos espaços de poder.

Segundo a parlamentar, ainda existem casos em que mulheres eleitas não exercem plenamente o mandato conquistado nas urnas, tendo suas decisões influenciadas por familiares ou lideranças masculinas.

“Existem mulheres que não são donas do seu mandato. Eu sou dona do meu mandato. Eu decido o que vou votar”, afirmou.

Ao abordar o tema, Nay relatou situações vividas ao longo de sua trajetória política. “Quando o cara diz para mim, ‘quando é que eu vou conversar com o teu marido?’, eu respondo: ‘Não é com o meu marido, é comigo’. Já ouvi isso várias vezes”, contou.

Para a vereadora, a influência masculina sobre mandatos femininos representa uma das faces mais perversas da política brasileira e precisa ser debatida pela sociedade. Ela defende que os eleitores reflitam sobre a independência das mulheres que ocupam cargos públicos.

“Essa mulher é dona do mandato dela? É ela quem está votando como gostaria? Ou é o marido, o irmão ou o pai que está dizendo o que ela deve fazer?”, questionou.

Nay também avaliou que a população ainda possui pouco conhecimento sobre o funcionamento da política, o que dificulta a identificação dessas situações. “Se tem uma coisa que falta no Brasil é consciência política”, afirmou.

Outro tema abordado durante a entrevista foi a inclusão das pessoas com deficiência e a acessibilidade urbana. Nay defendeu que a pauta precisa ser tratada como prioridade pelas gestões públicas e destacou que a falta de acessibilidade em Belém é resultado de décadas de ausência de planejamento.

“Belém não é uma cidade inacessível de agora. Existe uma historicidade por trás disso. Mas já passou da hora de a gente ter isso como prioridade”, disse.

A vereadora lembrou que a defesa das pessoas com deficiência é uma de suas principais bandeiras políticas. Ela também recordou o período em que comandou a Secretaria Municipal de Inclusão e Acessibilidade, criada durante a atual gestão municipal.

Segundo Nay, a criação da pasta era uma proposta que defendia desde a campanha eleitoral e que acabou sendo incorporada pela administração do prefeito Igor Normando. Ela permaneceu à frente da secretaria por seis meses, período em que iniciou ações voltadas para a inclusão e acessibilidade na capital paraense.

Ao comentar sua relação com a gestão municipal, Nay afirmou manter uma postura de independência, apesar de integrar a base do governo na Câmara Municipal de Belém.

“Eu faço parte da base do prefeito, entretanto voto de acordo com as minhas convicções”, declarou.

A parlamentar ressaltou que apoia projetos que considera positivos para a cidade, mas não hesita em votar contra propostas com as quais discorda.

“Eu voto aquilo que acho que é bom para a cidade. Quando não concordo, voto não”, afirmou.

Questionada sobre possíveis desgastes políticos gerados por essa postura, Nay respondeu que prioriza os interesses da população. “Se eu tiver que escolher entre ficar com um mal-estar com a gestão ou com a população, prefiro ficar com a gestão”, afirmou.

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