Condenado por estuprar as filhas, Bruno Mafra tem música que remete a abuso sexual: “Vou te pegar na marra e te fazer mulher”
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Condenado por estuprar as filhas, Bruno Mafra tem música que remete a abuso sexual: “Vou te pegar na marra e te fazer mulher”

Condenado por estupro, música de Bruno Mafra reacende debate sobre a cultura do estupro. Foto: Reprodução.

Condenado pela Justiça do Pará pelo estupro das filhas, o cantor e compositor paraense Bruno Mafra, conhecido no cenário musical paraense por comandar a banda “Bruno e Trio”, escreveu uma música que descreve uma relação ambígua, que dá margem para a interpretação de abuso sexual. Trata-se do hit “Paixão”, composta pelo artista em 2002.

Logo nas primeiras estrofes, o cantor indica um relacionamento sexual à força, incluindo uma expressão frequentemente associada a contextos machistas e de submissão feminina:

Fica assim manhosa, eu sei o que você quer
Vou te pegar na marra e te fazer mulher

Em seguida, a composição vai para um caminho de duplo sentido:

Vem no meu colo, vem.
Vem aqui, meu neném (meu neném)
Que hoje eu quero te dar amor
Eu não vou te machucar (não vou te machucar)
Eu não vou te fazer chorar (fazer chorar)
Eu só quero brincar de amor

A música foi composta cinco anos antes do início dos crimes, que ocorreram entre 2007 e 2011. As vítimas denunciaram o caso apenas em 2019, já adultas. À época dos abusos, elas tinham menos de 14 anos. Segundo o Ministério Público, os crimes aconteceram em diferentes locais, incluindo a residência da família e dentro de um veículo.

A condenação foi proferida em primeira instância e ainda cabe recurso.

Em nota à Revista CDC, a defesa do cantor reiterou que o caso tramita sob sigilo de Justiça. Confira o comunicado na íntegra:

“O escritório Filipe Silveira | Advocacia, responsável pela defesa técnica, informa que o processo judicial ainda se encontra em curso, inexistindo, até o presente momento, decisão definitiva. Serão adotadas as medidas recursais cabíveis, uma vez que a defesa sustenta a existência de relevantes violações ao devido processo legal, com potencial comprometimento da validade jurídica dos atos processuais e da própria decisão proferida. A defesa técnica também registra preocupação com a divulgação de informações relacionadas a processo que tramita sob sigilo, circunstância que, em tese, exige rigorosa observância das restrições legais de acesso e divulgação, tanto para a preservação da regularidade processual quanto para a proteção dos direitos das partes envolvidas.”

Cultura do estupro

O caso levanta discussões que vão além da esfera criminal: até que ponto produções culturais podem refletir, reforçar ou até normalizar comportamentos violentos? A análise desse tipo de conteúdo exige cuidado para não estabelecer relações simplistas, mas também não pode ignorar padrões simbólicos que atravessam a sociedade.

Segundo a ONU, o termo “cultura do estupro” é usado para descrever contextos em que a violência sexual é relativizada, enquanto vítimas são culpabilizadas. Esse fenômeno se manifesta em diversas dimensões, da linguagem cotidiana à mídia, da publicidade às instituições, o que reforça a necessidade de debate público, responsabilização e transformação social contínua.

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