Em um território onde o acesso à informação ainda é atravessado por desigualdades, um jornal impresso surge como gesto político. No oeste do Pará, mulheres de Santarém e cidades vizinhas agora têm em mãos o Manas, um veículo criado para informar, conectar e fortalecer a comunicação comunitária entre mulheres amazônidas.
Lançado em março deste ano, mês que historicamente marca as lutas femininas, o jornal é uma iniciativa do Clube da Luta Feminina, coletivo que atua desde 2021 com foco no empoderamento econômico e na autonomia de mulheres em situação de vulnerabilidade social.
“Além da pauta do empoderamento econômico, o Clube também entende a comunicação como uma ferramenta de luta e empoderamento das mulheres, afinal uma mulher bem informada consegue ir mais longe na luta pelos seus direitos. Nós já temos um programa de rádio o ‘Voz Para Todas’ que vai ao ar desde 2021, e agora nesse mês de março optamos por lançar um jornal impresso que além de informar, também torna acessível a informação para aquelas que, por exemplo, não tem acesso a internet, não tem telefone, e outras dificuldades que mulheres possam ter de acessar informações importantes”, explica Isabelle Maciel, fundadora do projeto.
Da urgência à construção coletiva
O Clube da Luta Feminina surgiu no bairro do Juá, em Santarém, uma área de ocupação marcada por vulnerabilidades sociais e econômicas. A iniciativa nasceu da necessidade de apoiar mulheres que, sem renda fixa, dependem de trabalhos informais e benefícios para sustentar suas famílias.
Hoje, com sede no bairro Santarenzinho, o coletivo se consolidou como um espaço de formação, acolhimento e geração de renda, promovendo oficinas gratuitas e ações que conectam mulheres a novas possibilidades de autonomia.
Cursos de biojoias, manicure, artesanato, empreendedorismo e redes sociais fazem parte desse percurso, que vai além da capacitação técnica e se estabelece como uma rede de apoio e fortalecimento feminino.

Informação que circula no território
A primeira edição do Manas começou a circular no dia 7 de março, no município de Mojuí dos Campos, durante a programação do Dia da Mulher do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais. O momento reuniu mulheres agricultoras familiares, ampliando o alcance do jornal para além do espaço urbano.
Entre os temas abordados estão empoderamento econômico, mudanças climáticas, agroecologia, saúde mental e feminicídio, pautas que atravessam diretamente o cotidiano e os desafios das mulheres da região.
A distribuição também chegou à comunidade de Aramanaí, em Belterra, durante um encontro com mulheres da Associação Comunitária Iara.
Para Maria Rosinete, integrante da Associação Iara, discutir clima a partir da realidade das mulheres é urgente: “A gente tem que preservar o que ainda temos, porque senão não vamos mais ter árvores, rios. Então precisamos preservar e juntar as mulheres numa luta feminina. Adorei conhecer o Clube da Luta Feminina”.
A expectativa do Clube da Luta Feminina é tornar o jornal uma publicação mensal, ampliando ainda mais o alcance das informações e fortalecendo a rede de mulheres na região. Para isso, o projeto depende de apoio financeiro e parcerias.
A primeira edição está disponível gratuitamente no site do coletivo, que também reúne formas de contribuição para quem deseja apoiar a iniciativa.


Leave feedback about this