Atenção! A colunista ainda tá em dúvida se esse é um texto sobre maquiagem, reality ou crítica social.
A Maxiane, que foi eliminada nessa terça-feira, 24, do BBB26 chamou atenção pelas maquiagens. Chegou até a virar meme quando usava maquiagem na beira da piscina, com seus looks casual chique e até quando a maquiagem derreteu enquanto ela chorava. Mas o que ficou, para mim, foi o debate que veio depois.
Antes de tudo, não é sobre torcida. Não tenho acompanhado ao ponto de ter favorito. O que me interessou foi a pergunta que surgiu no meio das críticas: existe momento certo para usar maquiagem? Tem lugar proibido? Piscina, praia, academia?
A Maxiane usava a tal da maquiagem roxa e isso incomodou. Gerou discussão dentro da casa e, fora dela, rendeu julgamentos. Como se ainda existisse um código silencioso dizendo quando uma mulher pode ou não se expressar.
E sendo bem sincera, esse debate me parece antiquado. Hoje, eu observo que a maquiagem vai muito além de embelezar. Ela é expressão. É linguagem. É identidade. Não é sobre esconder nada — até porque, ali dentro do reality, nada se esconde. Olheira, espinha, mancha: tudo aparece.
E, pra mim, o que a Maxiane mostrava não era insegurança, era personalidade. Era o jeito dela se sentir bem, arrumada, confortável.
Eu acho, inclusive, que esse discurso tem um certo tom de elitismo. A piscina simboliza descanso, leveza — e, convenhamos, é um luxo ter uma piscina em casa. Na minha cabeça, eu também estaria de look casual chique e bem maquiada o tempo todo. Afinal, eu estaria na casa mais vigiada do país.
Eu passo por isso no meu trabalho. Eu amo me maquiar. Para alguns, isso pode soar como exibicionismo ou vaidade. Para mim, é valorização. Ter um emprego é importante. Estar ali é importante e quem me vê sempre arrumada, vê uma pessoa com vontade de trabalhar, uma pessoa disposta.
Lembro da minha mãe dizendo, quando eu era criança, que a gente não ia desarrumada para o aniversário de uma colega. “Minha filha, ela pagou pelo seu convite, fez questão da sua presença. A gente vai arrumada porque isso mostra que a gente valoriza”, dizia a mamãe.
Eu cresci entendendo que se arrumar é uma forma de nos expressar, logo, de posicionamento. Levo isso pra vida
Assim como na academia. Quem me acompanha sabe que hoje eu amo treinar — mas nem sempre foi assim. Começar a me arrumar e me maquiar para ir mudou completamente minha relação com aquele espaço. A maquiagem virou, para mim, uma afirmação: eu estou segura, eu estou confiante.
Talvez só quem gosta de maquiagem entenda.
Porque uma coisa é certa: maquiagem não deveria ter hora marcada, nem lugar permitido.
Para muitas de nós, ela não é só estética.
Ela é identidade. É comunicação. Desculpa ser a amiga que sempre pesa o clima, mas tudo que comunica demais — e posiciona demais — sempre incomoda certos alguéns.


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