Músicas mais ouvidas de 2025: entre os sussurros e a nostalgia
Colunistas Vanessa Pinheiro

Músicas mais ouvidas de 2025: entre os sussurros e a nostalgia

Close-up em um microfone condensador preto de estúdio. O foco está na grade metálica do microfone, enquanto ao fundo, de forma desfocada, aparece o rosto de uma pessoa cantando. A iluminação é dramática, com tons de azul e roxo neon
Crédito: DC Studio / Freepik

A música pop global de 2025 não grita, ela sussurra. Os maiores sucessos internacionais do ano compartilham uma estética comum: canções que parecem antigas e novas ao mesmo tempo, com vozes baixas, produção detalhista e um apelo emocional pensado para fones de ouvido. É como assistir a um filme antigo restaurado em 4K. Em que alma é retrô, mas o acabamento é super moderno.

Essa lógica atravessa estilos, idiomas e mercados. Do pop estadunidense ao reggaeton, do R&B ao K-pop, o que domina hoje é a mistura entre nostalgia sonora e intimismo tecnológico.

O pop que fala baixo

O whisper singing deixou de ser truque estilístico para se tornar linguagem central do pop contemporâneo. E Billie Eilish é o principal símbolo dessa virada cochichada.

Em “Birds of a Feather”, a voz de Billie soa contida, próxima demais do microfone, como se a cantora estivesse dividindo um pensamento privado com o ouvinte. O impacto não vem do volume, mas da proximidade emocional. O mesmo acontece em “Wildflower”, também dela, onde respirações, pausas e texturas são parte ativa da narrativa.

Retrato de perfil da cantora Billie Eilish em tons de azul. Ela tem cabelos escuros, usa uma jaqueta esportiva com o número 69 na manga e segura um microfone próximo ao rosto. Ela olha para o lado com uma expressão pensativa. Seus dedos estão adornados com vários anéis prateados
Deixarias esta moça sussurrar no seu ouvidinho? Crédito: Instagram @billieeilish

Essa estética aparece ainda no pop confessional de Gracie Abrams. Em “That’s So True”, a interpretação soa frágil, meio feita sob medida para a escuta solitária. Não é música pensada para estádios, mas para o quarto, o fone e o silêncio ao redor. Ou o encosto na janela do transporte público voltando para casa na chuva.

Nostalgia sem poeira

Enquanto fala baixo, o pop contemporâneo olha para trás. Sintetizadores que lembram trilhas de ficção científica da “Sessão Aventura”, guitarras com distorção oitentista e baladas com alma setentista retornam, mas sem a sujeira analógica original.

Die With a Smile”, de Lady Gaga e Bruno Mars, é um exemplo claro dessa nostalgia restaurada. A canção lembra grandes baladas românticas do passado, mas com uma produção limpa e totalmente adaptada ao streaming. Tudo soa elegante e controlado.

Bruno Mars e Lady Gaga posam sentados em um sofá luxuoso de veludo marrom. Bruno, à esquerda, usa óculos escuros e uma camisa branca brilhante, brindando com uma taça de espumante. Gaga, à direita, usa uma peruca ruiva volumosa, maquiagem azul marcante e um vestido curto floral retrô, também segurando uma taça. O fundo tem painéis dourados e espelhados
Um semibrasileiro e a maior diva pop da atualidade. Crédito: Instagram @ladygaga

Bruninho reaparece nesse movimento ao lado de ROSÉ, do BLACKPINK. Em “APT”, referências retrô funcionam como linguagem global: familiar, acessível e cuidadosamente atualizada.

O R&B também absorve esse olhar para trás. “Luther”, de Kendrick Lamar e SZA, mergulha em uma atmosfera que remete aos anos 1990, com acordes luxuosos, batida suave e foco total na construção de clima.

Ritmos que dançam sem escândalo

Os hits mais, digamos, dançantes que dominam 2025 seguem a mesma lógica híbrida. O disco beat e o break beat retornam diluídos, misturados a elementos do trap, criando músicas dançantes, mas que não dependem da agressividade de décadas atrás.

Em “DTMF”, de Bad Bunny, o reggaeton aparece mais contido. O baixo sintetizado sustenta a faixa, enquanto a voz soa quase casual, como se fosse um bate-papo entre amigos. Aquele negócio da proximidade emocional que citei ali em cima. E a música funciona tanto na pista quanto no fone, viu?

Capa do álbum "DeBÍ TiRAR MáS FOToS", de Bad Bunny. Duas cadeiras de plástico brancas vazias posicionadas em um terreno de terra e grama. Ao fundo, há um denso bananal com grandes folhas verdes e secas, destacando um cacho de bananas verdes pendurado no centro
A capa que conversa com toda a América Latina. “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”, de Bad Bunny

Mesmo quando o pop se aproxima do maximalismo estético, o som continua preciso. “Golden”, de Huntr/X, EJAE, Audrey Nuna e Rei Ami, mistura referências de K-pop, R&B e pop alternativo. Mas tudo com produção cirúrgica, onde cada camada tem sua função.

A melodia mínima que gruda

Outro padrão recorrente nas músicas mais populares do ano é o uso de refrões baseados em uma única nota, repetida até se fixar na memória. É simples, eficaz e funciona bem com playlists.

Faixas como “Ordinary”, de Alex Warren, apostam nessa repetição como estratégia direta. O mesmo vale para “Back to Friends”, de Sombr, onde a melodia funciona quase como um mantra: fácil de lembrar e difícil de largar.

O segredo do pop contemporâneo

Nada disso é acaso. A forma como ouvimos música moldou o jeito como ela é feita. O pop de 2025 não quer impressionar à distância, ele quer soar próximo. Como um segredo que só funciona se você ouvir de perto.

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Vanessa Pinheiro

Colunista
Vanessa Pinheiro é jornalista e apaixonada por música. (Quase) sempre de fone de ouvido, explorando o universo sonoro sem rótulos: de clássicos lendários a descobertas recentes. Um mergulho nas histórias, influências e na emoção que faz um acorde vibrar mais fundo.

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